O 1º de todos do Parquinho do Leão Fucsia: sobre o hábito de escrever
- Milo

- 28 de mar.
- 4 min de leitura
Essa vai ser a primeira publicação aqui no Parquinho do Leão Fucsia. Apesar do site ter caráter mais profissional, refleti sobre como seria interessante manter uma área mais informal e divertida aqui, em que eu pudesse compartilhar algumas das atividades que faço e pensamentos que tenho. Atividades e pensamentos esses de todo tipo, até os que não são diretamente atrelados à ocupação de designer visual ou ao mundo da animação 2D, design de personagens, branding e arte conceitual. Por isso o nome "Parquinho": um lugar para desopilar, se divertir, ser livre e espontâneo como criança.
Pensei em alguns motivos para a publicação de textos aqui. Acho legal a ideia de compartilhar esse raciocínio, pois acredito que outras pessoas possam usufruir do meu pensamento:
1 - O hábito de escrever ajuda a pensar
Para escrever um texto, é preciso concentração e um certo envolvimento. Não dá para escrever sem pensar, e sem pensar não dá para ter ideias, muito menos ideias boas. Na minha vocação como criativo, se faz necessário sempre o pensar e o surgimento de ideias para dar prosseguimento ao que ando fazendo em qualquer determinado momento. Então, penso que criar esse hábito da escrita no Parquinho vai me ajudar criativamente em todas as áreas de minha vida. Afinal, creio que no mundo em que vivemos é preciso ser criativo sempre que possível.
2 - Precisamos de mais textos escritos por pessoas que existem
Vou constatar sem rodeios: não gosto de inteligência artificial generativa. Não tenho vontade de usá-la, ou de alimentá-la meus pensamentos, ou pior, fazê-la pensar e criar por mim. Nada, nunca, substituirá a intuitividade e ingenuidade humanas, e qualquer pessoa que preze por um mínimo de qualidade e de decência pelo que o ser humano faz de melhor, que é criar, sabe que a IA generativa é apenas uma pequena falha de caráter que o sistema em que vivemos tornou possível.
Claro, eu sou apenas um indivíduo, um cara de quase 30 anos que usa o cérebro e as mãos para trabalhar. Não posso impedir o avanço tecnológico, nem a exclusão sistêmica de tudo que nos torna seres vivos únicos, mas posso criar, pensar e ser apesar disso. É, talvez, o pequeno trabalho de formiguinha que estou disposto a apresentar para o mundo, como um pequeno estandarte de protesto ao declínio da imaginação e incentivo à liberdade de criar, mesmo que ruim, ou mau feito, ou inacabado. São qualidades humanas, ou defeitos, mas humanos mesmo assim.

3 - Eu não sou só um designer visual
A verdade é que tenho muitos interesses que convergem ou divergem da prática do design visual. No entanto, em quase todos os momentos que me vejo obrigado – por mim mesmo ou pela necessidade de pagar a conta de luz – a escrever, o assunto é sempre o mesmo: argumentação de projeto visual, metodologias e objetivos de projeto, conclusão de coleta de dados, especificação para produção de peças gráficas, instrução para desdobramento gráfico-visual de campanhas e identidades visuais. Acho que todos os envolvidos ganham se eu exercitar a escrita para além do design visual (porém, imagino que quem ganhe mais seja eu mesmo). Assim como faz bem viajar e conhecer lugares novos, escrever e pensar de forma estruturada sobre outras coisas com certeza deve fazer bem também. É a forma de viagem dentro de si, de conhecer os lugares novos dentro da nossa mente infinita.
Minha ideia no Parquinho é falar sobre meus interesses particulares e especiais, os principais sendo: gastronomia, videogames (principalmente Minecraft), flora e fauna, cultura e livros. Claro, quando conveniente para mim, pode aparecer no parquinho algo relacionado à área de design visual e animação 2D, porque é afinal uma área que tenho grande apreço e carinho, e que me interessa e me diverte demais. Trabalhar num bom projeto de identidade visual, numa animação com roteiro e ritmo, é uma das melhores sensações que existem para mim. Então, além dos textos fora do design e sobre design, acredito que ocasionalmente também apareçam textos mais introspectivos e pessoais sobre a minha vida, dos meus amigos e família. Só o tempo dirá!
4 - Viver o que se almeja
Já faz algumas semanas que penso que gostaria de escrever. Escrever sobre várias coisas, coisas aleatórias, coisa profundas, coisas rasas, coisas que talvez só sejam importantes e façam sentido para mim. Acredito que estava me vendo muito como o homem que gostaria de escrever, e pensei: por que não ser o homem que escreve? Não há nenhuma desvantagem nesta atividade. No período que separei para expor meus pensamentos neste texto, eu provavelmente estaria gastando em "pontos inúteis" do meu dia, pontos do dia em que as telas acabam te sequestrando a atenção, deixando o consumo de vídeos curtos ainda maior, vídeos esses que quase nunca agregam positivamente a minha vida. Pensei, gostaria de dizer chega! Passou da hora que viver com tantas informações e ideias entrando no meu cérebro e tão poucas saindo. Quero que a represa da minha mente estoure, e que todo esse fluxo de pensamento que eu normalmente deixo chacoalhar dentro da cabeça, seja externalizado, e por consequência, seja registrado, seja elaborado, seja cru e mal feito, seja talvez em algum momento perfeito, e que exista em toda sua glória e tristeza e frustração e felicidade. Então, que seja isso.
Acho que vai me fazer muito bem.
Algumas ideias para as próximas brincadeiras no parquinho:
Minha experiência anterior com blogs
A importância das plantas domésticas no meu apartamento e na minha vida
Pensamentos sobre a atualização 26.1 do Minecraft
Importância do saber (nem tão ancestral de) cozinhar
O que achei de À Beira-mar, livro de Abdulrazak Gurnah
Certo, então por enquanto é isso. Obrigado a todos que tiveram interesse e leram até aqui! :)


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